Think Process · Matriz de setup
Setup e troca de produto
Como montar a matriz de troca (setup) de uma linha farmacêutica?
Comece pelas transições que acontecem de verdade, e não por todas as combinações possíveis. A primeira versão sai do histórico de ordens: o intervalo entre o fim do lote A e o início do lote B, na mesma linha, é a troca de A para B.
Depois, quem faz a troca corrige. Corrigir uma matriz preenchida é muito mais fácil do que criar uma do zero.
O que é a matriz de troca?
É a tabela que diz quanto tempo a linha fica parada quando sai de um produto e entra em outro. Na linha, o produto que termina. Na coluna, o que começa. Em cada célula, o tempo da troca e o motivo: limpeza, formato, ferramental.
Sem ela, o sequenciamento é feito de memória. Quem planeja sabe que depois de certo produto vem uma limpeza longa, mas isso não está escrito em lugar nenhum. Então, a ordem dos lotes depende de quem está montando o plano naquele dia.
Por que não montar a matriz inteira?
Porque ela cresce rápido. Uma linha com 40 produtos tem 1.560 trocas possíveis: 40 vezes 39, porque a troca de A para B não é a mesma de B para A. Ninguém mede 1.560 trocas, e a maioria delas nunca acontece.
Na prática, num mês de plano acontecem algumas dezenas de transições. São essas que entram primeiro.
Como tirar a primeira versão do histórico?
- Peça a extração das ordens dos últimos seis meses: ordem, linha, produto, início real e fim real. Um arquivo só.
- Em cada linha, ordene as ordens pelo início. O intervalo entre o fim de uma e o início da seguinte é a troca entre esses dois produtos.
- Use a mediana, e não a média. Um intervalo que atravessou o fim de semana, ou que esperou material, puxa a média para cima. A mediana não se mexe.
- Limpe com o calendário de turnos. O intervalo também tem espera, falta de material e fim de turno, e nada disso é troca.
- Marque cada célula como suposição a confirmar. Ela ainda não é regra.
Quem corrige a matriz, e como?
Quem faz a troca. Produção e melhoria contínua olham a matriz já preenchida e corrigem, célula por célula. Dá para fazer por videochamada, porque a pergunta deixa de ser “quanto tempo leva?” e passa a ser “esse número está certo?”.
A troca proibida é outro assunto. Se a Qualidade não permite que um produto venha depois de outro, isso não é tempo, é regra. A RDC 658 da Anvisa, de 30/03/2022, pede que as medidas contra contaminação cruzada em área compartilhada saiam do gerenciamento de risco da Qualidade (art. 172 e 173). Então, essa célula entra por escrito, validada pela Qualidade, e nenhum cálculo muda ela. Explico isso melhor na página sobre sequenciamento com restrição regulatória.
Como a matriz vira regra da fábrica?
Cada célula confirmada vira um registro da empresa. Quando a linha muda, a célula ganha versão nova e a antiga fica guardada.
| Campo | O que vai |
|---|---|
| De / para | O produto que termina e o que começa, na mesma linha |
| Tempo | A troca em minutos, com o motivo (limpeza, formato, ferramental) |
| Origem | Histórico de ordens, medição na linha ou regra da Qualidade |
| Quem validou | Produção para o tempo, Qualidade para a transição proibida |
| Data e versão | Quando foi confirmada, e qual versão substituiu |
Com a matriz escrita, dá para medir as horas de troca do plano atual. Essa é a linha de base: todo ganho depois é contado a partir dela, com o mesmo método.
A matriz substitui o SMED?
Não. As duas se completam. O SMED, descrito por Shigeo Shingo em “A Revolution in Manufacturing: The SMED System” (1985), reduz o tempo de cada troca, separando o que se faz com a máquina parada do que se faz com ela andando. A matriz diz quanto cada troca custa hoje, e o sequenciamento escolhe a ordem que troca menos. O SMED encurta a troca. O sequenciamento evita a troca.
De onde vêm os fatos desta página?
- Anvisa, RDC nº 658, de 30/03/2022, Boas Práticas de Fabricação de Medicamentos, art. 172 e 173 (alterada pela RDC nº 972, de 22/04/2025)
- Shigeo Shingo, “A Revolution in Manufacturing: The SMED System”, Productivity Press, 1985
Fontes consultadas em 26/09/2026.
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